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09 fevereiro, 2014

"Escrever, escrever, escrever. O caminho de criar é um caminho sem volta. Agora pouco faz sentido e muito faz sentir. Janelas abertas, vento gelado, cama cheia, cozinha viva. Mes questionei pela primeira vez sobre a importância dos rituais. Desses pré estabelecidos. Acredito mais nos meus rituais: Secretos e mantidos. Último dia do ano escontrei por acaso um caderno em que escrevi minha experiência na Romênia. Não consigo, ainda, registrar, escrever (talvez) a importância desse ano. Eu quis o caminho sem volta.
O caminho do inacreditável, do mágico, impossível. Serei cada vez mais espírito e menos matéria. Mais criacão e menos medo. 
Que o trabalho do ano que passou se transforme em impulso criativo. Que o medo dos anos que se foram se tornem coragem e amor!
A mesma água que faz a neve, faz o mar, faz a mim e faz chover. Tudo é ciclo, energia e mutacão. Tudo está contido
Acho que a vida é um conter sem fim. 
Na danca o movimento, no movimento a vida, na vida a coragem e na coragem a arte. 
Para esse ano quero amor, coragem e um filho. 
Amar meu tempo, meu corpo, meu agora. Quero recriar e parir um filho pro mundo. Coragem, para não esquecer. Arte e espiritualidade para continuar. Que eu planeje e consiga. Ano da serpente. 
Que eu seja cada vez mais inteira e mais silêncio. 
Que os caminhos tragam cada vez mais gente, gente. E que tudo seja mágica, coincidência e inspiracão. 
Para mim e para todos que constituem o universo do meu ser."


Esse texto escrevi algumas horas antes de 2013.
2013 foi como deveria ser. E quem diria, pari meu filho e dei pro mundo. Me inspirei e consegui a coragem que eu tanto quis ter. E lendo meus cadernos me vejo a par de mim. Uma escrita com um amontoado de adjetivos e poucos verbos. Ainda não sei o que esperar de 2014. Escrevi e guardei, para em algum momento fazer sentido. Tenho, com o passar dos meses aqui, a certeza de que ficaremos. Eu gosto das ruas daqui e adoro, mais que tudo, não pertencer. Acho que essa cidade me significa. 

Pra quem tenho escrito tanto?

Düsseldorf
O outono já se foi.

Norah e sua caminha improvisada.

Nossa familia, de três.
Adoro essa foto. Ainda não sei o porquê.






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